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Doidona por ti

Sou apaixonada Sou mãe galinha de 4 lindos pintainhos Adoro Música Adoro ler E gosto de escrever umas coisas e por isso criei este meu cantinho de desabafos!

Doidona por ti

Sou apaixonada Sou mãe galinha de 4 lindos pintainhos Adoro Música Adoro ler E gosto de escrever umas coisas e por isso criei este meu cantinho de desabafos!

Para Ti

 

 Imagem retirada da Internet

 


PARA TI

Para ti tenho tudo o que quiseres:
Uma harpa com cordas de cristal
Que só o vento sul pode tocar,
Um nome antigo que nunca ninguém disse
E um vinho em movimento circular.

Um planeta ainda por descobrir,
Que entrevejo nas noites mais vazias.
Uma aurora boreal petrificada
À tua porta, um canto de embalar
E um gesto louco a emergir do nada.

Tenho um comboio de madeira, uma cidade
Verde, verde, aberta e revoltada.
Uma sombra que desmaia no passeio,
As cores que ninguém vê no arco-íris
E um diamante com um coração no meio.

Tenho um segredo feito de marfim,
Uma batalha que ninguém perdeu,
O segmento de recta onde amanheces.
E uns olhos onde podes encontrar
O que não disse, para que o quisesses.

(Mário Domingos, in O Despertar dos Verbos)


'DESPERTA-ME DE NOITE O TEU DESEJO...'

 

 

Óleo sobre tela: The Passion, de Richard Young

 

 

'DESPERTA-ME DE NOITE O TEU DESEJO...'


Desperta-me de noite
O teu desejo
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito

É rede a tua língua
Em sua teia
É vício as palavras
Com que falas

A trégua
A entrega
O disfarce

E lembras os meus ombros
Docemente
Na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite
Com o teu corpo
Tiras-me do sono
Onde resvalo

E eu pouco a pouco
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim
Vai descobrindo vales.

(MARIA TERESA HORTA)

Quase nada

 

Pablo Picasso - Dove of Peace

 


QUASE NADA

O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.


EUGÉNIO DE ANDRADE, in PRIMEIROS POEMAS (1977)

Oh Amor...(Pablo Neruda)

 

 

OH AMOR, oh raio louco e ameaça purpúrea,
... me visitas e sobes por tua viçosa escada
o castelo que o tempo coroou de neblinas,
as pálidas paredes do coração fechado.

Ninguém saberá que só foi a delicadeza
construindo cristais duros como cidades
e que o sangue abria túneis inditosos
sem que sua monarquia derrubasse o inverno.

Por isso, amor, tua boca, teu pé, tua luz, tuas penas,
foram o patrimônio da vida, os dons
sagrados da chuva, da natureza

que recebe e levanta a gravidez do grão,
a tempestade secreta do vinho nas cantinas,
a chama do cereal no solo.


(Pablo Neruda)

O Tempo que não se perdeu

Imagem retirada da Internet

 

 

 

O tempo que não se perdeu

Não se contam as ilusões
nem as compreensões amargas,
não há medida para contar
o que não podia acontecer-nos,
o que nos rondou como besouro
sem que tivéssemos percebido
do que estávamos perdendo.

Perder até perder a vida
é viver a vida e a morte
não são coisas passageiras
mas sim constantes, evidentes,
a continuidade do vazio,
o silêncio em que cai tudo
e por fim nós mesmos caímos.

Ai! o que esteve tão cerca
sem que pudéssemos saber.
Ai! o que não podia ser
quando talvez podia ser.

Tantas asas circunvoaram
as montanhas da tristeza
e tantas rodas sacudiram
a estrada do destino
que já não há nada a perder.

Terminaram-se os lamentos.

PABLO NERUDA

Ritual do amor

 

Óleo s/ tela de Cayetano de Arquer Buigas

 (Óleo s/ tela de Cayetano de Arquer Buigas)

 

RITUAL DO AMOR

I

A fímbria do vestido
a fenda do vestido

As pernas cruzadas
na racha entreaberta

Os braços erguidos
e o vestido
subido nas coxas que já despe

II

Depois é a penumbra
e o vestido
a tirar pela cabeça
amarrotado

As mãos abocanhando
o cimo do vestido
no desatino - na pressa
que as invade

Acesa a carne
no ócio dessa tarde
liberta enfim da seda do vestido

que em vez de seda é sede
e é a tarde
acesa enfim no corpo sem vestido

III

A fímbria do vestido
a fenda do vestido

na febre em que
se despe
e é tirado
no hálito do quarto

ou atirado
e cai devagar
depois de ser despido

IV

Aos pés
está o vestido
amachucado

depois os joelhos no vestido

as coxas brandas e doces
no tecido
que vai cedendo ao gosto dessa tarde

V

A fímbria do vestido
a fenda do vestido

que se ergue
do chão
amarfanhado

o vestido que mal foi despido
conheceu do corpo
o peso do seu acto

VI

Assim volta à maneira
de vesti-lo
tornar a descê-lo pelos braços

cortando logo a tarde
e a ternura
perdida na penumbra desse quarto

VII

Quanta saudade
da seda do vestido
que à pele adere
num outro abraço

Baraço entorpecido
nos sentidos
secreta maneira
de tolher os passos

VIII

A fímbria do vestido
a fenda do vestido

Já só memória
o corpo todo
nu

Dissimulado agora pelo vestido
que os dedos abandonam
um a um

IX

A fímbria do vestido
a fenda do vestido

que o gesto alisa
ao descer o fato

Vestido que na fímbria
ainda é vestido
mas não na fenda
onde já se abre

 

MARIA TERESA HORTA, in AS PALAVRAS DO CORPO (D. Quixote, 2012)

Era verde...(Pablo Neruda)

 

 ERA VERDE o silêncio, molhada era a luz,
... tremia o mês de junho como uma borboleta
e no astral domínio, desde o mar e as pedras,
Matilde atravessaste o meio-dia.

Ias carregada de flores ferruginosas,
algas que o ventu sul atormenta e esquece,
ainda brancas, fendidas pelo sal devorante,
tuas mãos levantavam as espigas de areia.

Amo teus dons puros, tua pele de pedra intacta,
tuas unhas oferecidas no sol de teus dedos,
tua boca derramada por toda a alegria,

mas, para minha casa vizinha do abismo,
dá-me o atormentado sistema do silêncio,
o pavilhão do mar esquecido na areia.

 

(Pablo Neruda)

...

(Aguarela: Violet, por Donna Blackhall)
 
 
 
 
Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar.
Falemos dos brilhos estilhaçados
desta casa súbita que é o teu corpo
devoluto. A noite devora as palavras possíveis,
o sofrimento que pulsa em tua boca
e torna a minha boca vulnerável.
O amor é um nada que a liberta, uma luz
que desce dos ombros para o ventre
e fecunda as sementes da tua virgindade,
essa que faz agora parte de uma dor quase
amigável, na lividez do tempo,
e que entregas em minhas mãos, beijando-as,
tornando-te parte dos meus versos, da
minha forma mais profunda de gostar
de ti.
Amar-te, é escrever-te.
Amar-te é deixar que me toques até ser teu,
até que te deites no meu corpo e adormeças
inteira dentro de mim.
Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar. Cheiram a ti. São para ti.
Um "bouquet" de palavras que floriram
neste tempo de amor.
(Joaquim Pessoa)

Amor Vivo - Poema

 

 

 

AMOR VIVO

Amar! mas dum amor que tenha vida...
Não sejam sempre só delírios e desejos
Duma douda cabeça ensandecida...

Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser - e não só beijos
Dados no ar - delírios e desejos -
mas amor... dos amores que têm vida...

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névia da vaga fantasia...

Nem murchará do sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?

 

(Antero de Quental)

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